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  Mara Luquet
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O descompasso entre os gerentes e a evolução das aplicações

Não, o maior risco de investir na Vale não é a possibilidade de a empresa ser privatizada. Não, a alíquota de imposto de renda nas aplicações em ações não é igual à da renda fixa. Não, a área de câmbio não compra as ações que estão no banco. E, por favor, investimentos em PGBL e VGBL só no longuíssimo prazo, o que, definitivamente, não quer dizer dois anos, mas sim qualquer coisa acima de dez anos!


Os bancos estão com um grande problema nas mãos: seus gerentes não conseguem acompanhar o ritmo de evolução de suas áreas de investimento, como ficou claro na excelente reportagem das jornalistas Daniele Camba e Luciana Monteiro publicada no Valor da última terça-feira. As duas jornalistas saíram a campo como investidoras e foram checar pessoalmente nas agências qual a "dica" de investimento do gerente para a aplicação de R$ 50 mil que queriam fazer. Ouviram pérolas.


Nos últimos anos, o mercado de fundos de investimento brasileiro passou por uma verdadeira revolução em termos de transparência e tecnologia de gestão. Não há a menor dúvida de que os grandes bancos varejistas estão hoje em condições de fornecer produtos à clientela em pé de igualdade com as boutiques de investimento.


Há times excelentes na gestão de fundos de renda fixa, multimercados e ações, comprometidos com governança e que acumulam prêmios dados por instituições prestigiadas, como a Standard & Poor's, a maior agência de classificação de risco do mundo que, em parceira com o Valor, trouxe o prêmio Top Gestão também para o Brasil. A S&P premia os melhores gestores - aqueles que demonstram consistência de resultado - em diversos países e, desde 2001, também no Brasil, e publica regularmente essa avaliação na revista ValorInveste.


No entanto, nas agências bancárias, completamente alheios a este movimento, estão ainda gerentes suando para vender títulos de capitalização, planos de previdência para aplicações de curto prazo e seguros para quem não precisa. Numa agência do Itaú, por exemplo, conta um ouvinte da rádio CBN, o gerente disse que o produto Itaú Excelência Social simplesmente não existia. Trata-se de um dos melhores fundos de ações do mercado. Criado em outubro de 2004, a carteira registra desde então ganho de 157,39%, segundo dados do site financeiro Fortuna. No mesmo período, o Índice Bovespa registrou valorização de 94,44%. O fundo aplica apenas em ações de empresas socialmente responsáveis e ainda doa parte da taxa de administração a projetos sociais.


No Banco do Brasil, um cliente foi tentar fazer uma aplicação em títulos via Tesouro Direto - sistema de negociação eletrônica de papéis públicos - e ouviu que aquele tipo de aplicação não estava disponível no banco. O BB não apenas tem o produto como é o primeiro no ranking de agentes do Tesouro Direto, como você ou qualquer gerente pode verificar no site do Tesouro Direto (www.tesourodireto.gov.br).


As histórias são muitas. Cada um tem a sua própria para contar sobre atendimento nas agências bancárias. Não dá para culpar o gerente. São seus patrões os maiores responsáveis pela falta de informação, pois não estão conseguindo dar o treinamento adequado para uma força de venda que tem cada vez mais um papel importantíssimo na economia. Afinal, é a poupança dos indivíduos, numa economia saudável, que vai financiar o crescimento de um país. O dinheiro bem aplicado gera energia e frutos não só para o investidor, mas para toda a economia. No entanto, quando faz o caminho errado, fica represado, o que pode ser até bom para o dono do banco, mas não para a economia.


Os bancos têm um problema porque, no longo prazo, essa deficiência poderá fazer com que percam clientes para gestores independentes, por exemplo.


Mas se os bancos tem um problema, você tem outro ainda maior. Isso porque é você que está na ponta compradora dos títulos de capitalização, dos planos de previdência para o curto prazo e dos seguros inúteis. Assim, está por sua conta ir atrás de informações de qualidade e confiáveis para nortear os seus investimentos.


Coluna que escrevi para o Jornal Valor Econômico publicada na edição de ontem (05/02/07)

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Informações erradas proliferam nas agências

Na semana passada, as jornalistas Daniele Camba e Luciana Monteiro publicaram no jornal Valor uma excelente matéria sobre as orientações obtidas nas agências bancárias. As duas saíram em campo como se fossem investidoras com R$ 50 mil para aplicar e ouviram recomendações e explicações de gerentes de diferentes bancos.
A constatação foi: se o investidor espera encontrar nas agências um bom consultor para seus investimentos terá problemas. Ou você faz seu dever de casa, busca informações e chega na agência já sabendo o que quer ou provavelmente sairá de lá com um título de capitalização, um plano de previdência de curto prazo ou um seguro que não precisa.
Veja, título de capitalização não é investimento, planos de previdência PGBLs ou VGBLs só para aplicações com prazos superiores a dez anos e seguro apenas aqueles que trazem a cobertura de que você necessita.
Mas o pior é que muitos gerentes não tem a menor idéia de conceitos básicos de investimento.


Alguns dos erros cometidos nas agências, segundo o levantamento do Jornal Valor e as respostas corretas em vermelho:

• Imposto de renda de fundo de ação é igual o de renda fixa, vai de 22,5% até 15%
Não. A alíquota de IR nos fundos de ações é de 15% e só é paga no resgate da aplicação.

• Área de câmbio compra as ações que estão nos fundos
Área de câmbio não tem nada a ver com fundos de ações, são responsáveis por operações com moeda estrangeira.

• O risco do fundo da Vale é a companhia ser privatizada
A Companhia Vale do Rio Doce já foi privatizada em 1997.

• Fundo “small cap” é formado pelas ações das 50 maiores empresas da bolsa.
“Small cap” são ações menos negociadas e com menor valor de mercado.

• VGBL e PGBL servem para investimentos de curto prazo
São produtos de previdência, só servem para aplicações de longuíssimo prazo.

• Os fundos de previdência são os únicos livres de um possível confisco
Fundos de previdência que têm títulos do governo em carteira podem sim sofrer se o governo reestruturar sua dívida.


• Fundos de previdência têm apenas taxas de administração
Fundos de previdência tem ainda taxa de carregamento.

• Se o banco quebrar, os fundos de previdência são os únicos que não são afetados.
Quando o banco quebra, só os fundos que têm papéis do banco falido é que sofrem perdas.


• Fundos de dividendos aplicam em papéis da dívida externa
Fundos de dividendos compram ações de empresas que pagam bons dividendos regularmente.

• O “fundo CDB” é o único que dá o benefício do IR decrescente
Não existe fundo CDB. Há fundos de renda fixa que podem comprar diversos papéis, inclusive certificados de depósitos bancários (CDB), que são títulos emitidos por bancos. O benefício de alíquota de IR decrescente para aplicações de prazos mais longos é para todos os fundos de renda fixa.

• Fundo de ação não tem taxa de administração
Sim, fundo de ação, tem taxa de administração.

• Em fundo de ação é o cliente que faz a gestão, enquanto que na corretora, os profissionais é que fazem pelo cliente.
No fundo de ação quem faz a gestão é o gestor da carteira. Quando você compra papéis diretamente é você quem escolhe as ações e pode contar com a consultoria de seu corretor.

• Dividendo só recebe quem é acionista direto; o fundo não.
O fundo, quando tem ações da empresa em carteira, é um acionista e recebe dividendos. Alguns gestores inclusive depositam os dividendos diretamente na conta corrente do cotista.
• Ação preferencial é a que da voto e a ordinária distribui parte do lucro
Ação ordinária, ou ON, é que dá direito a voto. Na PN o acionista tem preferência no recebimento dos dividendos.

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  PERFIL
   
 

Mara Luquet – Jornalista e sócia da Editora Letras & Lucros, que publica a revista Legado e é especializada na edição de livros de finanças pessoais. Autora dos livros "O Assunto é dinheiro", em parceria com o jornalista Carlos Alberto Sardenberg ; "Aposentada ficava sua avó", em parceria com a jornalista Andrea Assef e "Tristezas não pagam dívidas".
Trabalhou como editora de Investimentos e Carreira no jornal Valor Econômico, no caderno Folha Invest, da Folha de S.Paulo e na revista Veja. Foi repórter da Gazeta Mercantil e da revista Exame. Também escreveu três guias Valor Econômico: de Finanças Pessoais; de Mercado de Ações; e de Planejamento da Aposentadoria, todos publicados pela Editora Globo.

e-mail:
mara.luquet@cbn.com.br

ATENÇÃO: O Blog Mara Luquet tem por finalidade apenas informar e partilhar experiências com o leitor. O material aqui publicado não deve ser interpretado como sugestão de investimento ou como uma oferta de compra e venda de qualquer título de valor mobiliário ou outro produto financeiro

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